22.10.06

Signos e ascendentes: Os signos que se fodam e os ascendentes, à falta de melhor, também.

É natural uma gaja perguntar-nos o signo. Até aqui tudo bem, os signos são coisas de gajas e perguntar sobre eles ao comum dos mortais também é uma coisa de gaja. Mas assisti a um fenómeno novo (podem preparar os sacos de enjoo) que foi perguntarem, várias vezes (arranjem mais sacos ou encomendem uma palete) qual (preparem-se, blearghhhhhh) era o meu ascendente. O meu ascendente??? Uma gaja perguntar-nos o nosso ascendente não é lá muito normal pois não? É tão estranho como ver o Chewbacca da Guerra das Estrelas num barbeiro. Há qualquer coisa que neste país começa a não "bater" lá muito bem. Sei lá qual é o meu ascendente, nem sei o que é um ascendente. Sei o que é um ascensor e sei o que é ascender, tipo: "E Elias ascendeu aos céus num carro de fogo." Agora ascendente é o meu pai e o meu avô.
Sempre que uma rapariga me pergunta o signo, antes de responder «sou do signo leão», penso sempre: "Oh que caralho, ó Maria Ivone, vai-me à loja e traz-me o troco!" Não satisfeitas com a resposta, visto que ser do signo leão é como sofrer de escorbuto, perguntaram-me qual era então o meu ascendente, numa tentativa de tentar descobrir alguma coisa que se aproveite em mim ou para me salvar das garras medonhas do dito rei da selva.
Educadamente, e depois de vomitar 3 vezes seguidas para sacos de enjoo que já ando a comprar há mais de dez anos para o efeito, lá tentei articular uma resposta satisfatória: "Sei lá, ó caralho, não percebo nada dessa merda..." Essa. Merda. Uau, um palavrão feio que faz de mim um menino feio. Ai que grande tau-tau. A rapariga corou; eu também, ainda mais do que o costume. Ela de vergonha; eu de raiva e frustração devido ao alto grau de cromice e saloice da gaja. Resposta final dela: "Oh, vê-se mesmo que és Leão..." Eu (em vez de responder o que qualquer mortal com dois dedos de testa respondería, e que é: "Quero que essa merda se foda") disse, no estilo humorístico que me caracteriza:"Ai é, como é que sabes, já te mostrei a minha juba?" Ela fingiu que não percebeu. Eu fingi que não teve assim tanta graça. Mas tem mais graça que os signos. Os signos não são nada, nem aparecem no B.I. Os signos tem tanta importância como abrir uma loja de biquinis no pólo norte.
Só digo uma coisa às próximas raparigas com quem vou sair (espero eu) - Vou comprar uma caçadeira, registá-la e colocá-la bem à vista no tablier do meu carro, ao estilo caçador de javalis. Ao mínimo deslize nessa treta dos signos, sai bala pelo vosso «ascendente» acima.... No caso de possuírem um corpo , sei lá, não peço muito, do tipo da Soraia Chaves, quero dizer que estou disposto a negociar tréguas que poderão envolver remoção total de roupas e conversações na horizontal. Sempre tem mais piada que os signos...

19.10.06

As lorelei de João Cutileiro (livro esgotadíssimo, arre que não há nenhuma editora que re-edite isto)

Lorelei (I)
Lorelei vem de uma água escura! Há uma luz de navios caídos e está presa aos cabelos dela, noite e dia!
Noite e dia tem a pele molhada e o corpo em sobressalto. Não consegue parar a alma, sempre em mudança. Põe-se de pé no alto de uma pedra, a chorar. Esquece, grita, chama, adormece.
Lorelei levanta-se. Levanta-se outra vez.
Nos olhos tem o azul sujo de um mar cansado de céu. Queixa-se, espreguiça-se, lava-se em lágrimas e floresce.
Acorda.
Quando Lorelei acorda, o mundo tem ordens para não olhar. É uma sereia. Não se vê. Não se percebe. É magia? É uma magia que ainda não cresceu. É de pele? É de pedra? É de água. Não se percebe. Lorelei não se percebe.
É uma sereia. Uma sereia é um problema que não se resolve facilmente, que gosta de grutas. Não gosta de vir à tona de água. Tem medo das alturas. Não gosta da sensação do ar nos olhos. Não suporta a claridade. Sem a ajuda da água, todas as cores acabam por esbranquiçar.
Sempre que está em terra, a tratar das coisas que as sereias tratam, tentando aliciar o primeiro marinheiro do dia, apetece-lhe desistir e mergulhar, abrir os olhos e olhar.
Não gosta nada quando os marinheiros não vêm ou não correspondem ou só aparecem muito tarde. Não gosta nada de não se despachar. Mas gosta de estar deitada de costas no chão do rio, num dia de calor, a adivinhar quantos azuis tem o céu.
A água funda é mais fresca no verão e ela gosta de estar horas sem se mexer, a sentir o rio inteiro a passar por cima dela. Lá em cima, no barulho branco do outro mundo, quase se vêem os pássaros inteligentes a nadar na ventania.Não gosta de estar cá em cima.
Nada. A escuridão do rio é a única coisa capaz de a sossegar.

Lorelei (II)
Lorelei é a menina curva da minha mão, a linha recta do meu olhar. Deita o cabelo à pedra fria e escuta. As árvores cantam o que o rio lhes diz e o rio corre, porque o mar chama. E o mar é como a lua mandar. Quem manda na lua, ninguém sabe. Sabes?
É por ela que eu hei-de apaixonar-me. Esquece. Escuta. Há qualquer coisa no coração que te quer falar. Entorna o cabelo para um poço de sombra. Espalha-o como se estivesse a nadar. Vê-se na água escura de onde vem, vê-se feliz, de corpo inteiro, em todas as posições, com todas as idades, menina mais uma vez, sorrindo na água-mãe. Esperava o vento que vinha.
Tinha tudo o que queria. Diziam-lhe para descer; ela descia. Esperava uma verdade que não vinha — as tempestades, a perdição, os navios — com o queixo sobre os joelhos, respeitando o ar da pele, sozinha como o dia. Não sabe o que tem.
O céu corre-lhe por cima da cabeça, parece tinta. Não quer saber o que se passa. Dança, quer dançar, dança toda a noite. As estrelas param e a manhã começa. Dança como se fosse proibido, dança como se fosse de verdade, até descer aquela alma dentro de mim, tirando-me o sono, tirando-me a certeza, tirando-me a paz.
O amor não fala a quem o escuta. A sereia não se deita e eu não durmo. A sereia não se deita à água e o rio está inquieto, remexe-se toda a noite, perdendo o fio das horas, enquanto ela dança, dança ao som do amanhecer.

Miguel Esteves Cardoso

Fonte: Lorelei / esculturas de João Cutileiro ; fotografias de Gérard Castello Lopes ; textos Miguel Esteves Cardoso. Porto : Porto Editora, [1989]
Fotos e restantes testos (1 a 9), para quem quiser ler: Sons da escrita 010, 011, 012.

Nota: Um excelente livro, duma beleza e estética singulares, editado na altura em capa dura e que simplesmente não consigo encontrar à venda em lado nenhum. Fica o apelo às editoras portuguesas.

18.10.06

Ambiguidades (alguns aforismos, meditações sobre homens e mulheres e não necessariamente por essa ordem )

Fim de férias e início do trabalho. Fim duma coisa, onde nada acontece, e início de outra, onde nada do que acontece tem, de facto, importância.

Quando uma relação amorosa acaba, começa logo outra, mais intensa e apaixonante, entre a esperança e o tédio dos dias e o vazio das noites.

As mulheres apaixonam-se, geralmente, pelos homens que têm o condão mágico de magoá-las sempre no sítio certo. Os homens só se apaixonam por mulheres que têm o condão mágico de não os aborrecer. Depois de casados trocam de papéis.

É fácil saber quando uma mulher está triste: não consegue esconder. E também é fácil saber quando um homem está triste: não consegue disfarçar.

A mulher infeliz ri para não chorar. O mulher feliz ri depois de chorar.

Andamos todos atrás do mesmo, homens e mulheres, diz um colega meu de trabalho. Eu não podia concordar mais. Apenas um senão: coitado do homem que encontra aquilo que quer e coitada da mulher que tem aquilo que merece.

Um homem começa a namorar porque encontrou uma mulher de jeito. A mulher começa a namorar porque não encontra mais ninguém de jeito. O amor é um doce engano.

As mulheres podem dizer-nos o que quiserem que, no fundo, não interessa: uma mulher só gosta de nós se nós lhes dermos protecção e filhos.

Há 50% de divórcios em Portugal. Facto. A culpa é do homem? Facto. E das mulheres, não é? É.
A mulher tornou-se mais independente, mais culta, começou a rapar o buço e já não está para levar com o cinto na testa, como a mãe dela e a avó dela, por não fazer a janta a horas. De acordo. As mulheres já não estão para lavar a roupa do marido a cheirar a pito adúltero. Certo. E os homens também não estão para comprar pizzas todos os dias só porque elas são licenciadas em direito e não sabem fazer uma simples massa de bacalhau ou descascar uma cebola. Certo. Tudo certo. Todos temos culpas e o pêndulo de focault balança friamente sobre as nossas testas. Mas a razão principal para tanto divórcio é esta: O Tédio. Como diz um amigo meu: "pá, a gente casa-se é para foder a horas certas...»
Vamos todos meditar nisto.

16.10.06

Fêveras e Entrecosto na brasa é com o Nuno!!



















Uma «foto-montagem» dedicada ao Nuno, um herói da gastronomia nacional, aqui a grelhar fêveras e entrecostos, um dedicado «chef» na arte de bem assar toda a bifana.
Abraço.

3 vivas (bem bebidos) para a Trupe da Caipirinha!


No aniversário do Jorge, da esquerda para a direita, Luzia, Jorge, Nelson, Marta e Nuno, fazem um brinde de capirinha em punho: a deliciosa cachaça brasileira.

A Caipirinha. Copo de vidro, uma quantidade generosa de limas medidas, rigorosamente, em «bués de limas», bem esmagadinhas contra o delícioso açúcar amarelo, numa orgia pecaminosa de contraste de sabores. Tudo bem aconchegadinho no fundo do copo, esperando ansiosamente pela absolvição redentora da cachaça. No Brasil é conhecida por "Água que passarinho-não-bebe", "engasga-gato,"lágrima-de-virgem", "levanta-velho", "urina de santo".
Aqui em Portugal é apenas caipirinha, ou caipirosca, se misturarmos vodka. Adoro.
Amo.
Quero mais.
Caipira: um pouco de Brasil aqui em Portugal.

4.10.06

A ternura dos 30 (que não é muita...) - Parabéns ao D.J. Tony e ao Jorge M.C.

Quero desejar Parabéns ao Tony que fez 30 anos, no dia 3 deste mês e também ao Jorge que também vai fazer 30 anos na sexta-feira, dia 6. Eu, que sou apenas um chavaleco de 29 anitos, uma criança comparada a estes senhores casadoiros, enrugados e barrigudos, queria desejar a este par de "cotas-trintões", muitas felicidades, que a vida lhes traga, para além da botija de água quente, do xaile e do cházinho, tudo o que desejarem, além de desconto para a 3ª idade nas excursões a Compustela e 20% de redução de preço nas caixas de viagra (vocês sabem do que estou a falar, não disfarcem nem mintam às vossas mulheres dizendo que são as novas pintarolas azuis!), um mundo de coisas boas e práticas, sei lá, assim de repente, ora deixa cá ver, Polident para a placa dentária, fraldas anatómicas, etc.
Ah!, já mencionei que vocês estão a ficar cotas? Velhos? Trintões? Carcaças? Carcamanos? Figos? Chantras?
30 anos! Sim senhor! Já começaram a ver telenovelas? A comprar cds do José Cid? Vocês já devem estar naquela idade em que acham mesmo «piada» ao teatro de revista e não perdem um programa do Camilo de Oliveira, nem um cd da Simone de Oliveira! Confessem lá. Vocês ainda tentam disfarçar e dão uma miradela de soslaio aos canais porno da tv-cabo, mas o que vocês gostam mesmo, mesmo, mesmo de ver é aquele programa da Fátima Lopes na Sic, antes do almoço, é ou não é verdade? Vá lá, confessem, venha de lá essa catarse - sim, já tou a ver baba e ranho a escorrer para o teclado, confessem lá: Vocês gostam mesmo dos Diapasão!
Pronto, já passou, estão a ver, não custou nada. Agora vão lá soprar as velas e peçam um desejo. Uma sugestão? Peçam uma placa dentária mesmo forte ou uma pomadinha para as hemorróidas. Nunca se sabe..

30.9.06

Férias!

E agora pessoal, vou aproveitar para tirar uns tempos e gozar umas férias bem merecidas e dar descanso a este blog. Voltaremos assim que se considerar necessário.

A nossa vida é isto??

Resposta: é.

28.9.06

Leituras: O Sul De Miguel Sousa Tavares

Gosto mesmo muito de literatura de viagens. Júlio Verne, claro, é o meu preferido, mas também tenho alguma bibliografia de viagens diversificada, desde diários de Cristóvão Colombo, Daniel Dafoe, etc. Uma viagem, seja ela de que tipo fôr, quando bem contada e superiormente escrita, consegue ser melhor do que a viagem em si e até transcendê-la.
O que é uma linha de combóio, um autocarro ou um barco comparado à descrição literária dos mesmos? O que é a paisagem em si comparada ao que so pode escrever e sentir por causa do que se escreve dela?
A literatura de viagens é um género literário fascinante, capaz de fazer o próprio leitor viajar, sonhar, imaginar, sentir, etc.
Gosto de Sul: Viagens de Miguel Sousa Tavares. Por dois motivos. Não só o livro é fascinante e está bem escrito como também só gosto de viajar para o sul. Sempre para Sul.
Quando era pequenito e o meu pai dizía-nos que íamos passear para o norte, sei lá, para o Minho, Bragança, etc, só me apetecia vomitar. Detesto o Marão. A viagem enjoava-me e dava-me náuseas. Só queria ir para casa. Odeio quando a paisagem é sempre a mesma durante 10 kms. Odeio tudo o que é pinheiros, campos de milho e de girassóis - para mim, só com uma paulada na cabeça dada na portagem em Lisboa, para ir a dormitar sossegadinho até Lagos, é que consigo atravessar o Alentejo de carro) -, em suma: odeio o campo, pronto. Detesto montanhas, detesto piqueniques de todo o tipo, seja à sombrinha, seja num pinhal. Gosto do norte no que refere à gastronomia, por ex. A paisagem é bonita, claro, mas para aí durante 10m. O Gerês é maravilhoso mas para passar um fim de semana. No entanto, defendo que o Norte, o Alentejo e os Açores devem permanecer como estão, intocáveis pelo homem, no seu estado natural, durante o tempo que for possível. O Sul, sim, podemos «abandalhar» à nossa vontade, poluír, semear auto-estradas, prédios e estádios de futebol - enfim: estragar! O norte devería estar como está durante mais 5 séculos. Sería o ideal. O sul deve melhorar, claro. O norte devia ser a nossa amazónia privada, verdinha, impoluta, cheia de bichos selvagens ou em vias de extinção e rios limpos. Só se devia viajar para norte de barco e, para certas zonas, de helicóptero ou cair de pára-quedas. Em Portugal, o Sul devía ser a casa e o Norte o quintal. O Sul a fachada e o Norte as traseiras.
Só gosto do sul, de ir a para sul, de viajar para sul. Só gosto de civilização, cidades, barulho. As casinhas no norte, isoladas e com pastagens a abarrotar de vacas e cabras não tem tanto encanto, para mim, como dormir num hotel e comprar uns bifes do lombo num hipermercado. Gosto de pessoas. Gostar de cidades é gostar de pessoas.
Para mim o norte é rural, agrícola e aldeão; o sul é urbano, industrial, cosmopolita. Nós, Portugueses, nos últimos 500 anos sempre quisémos ir para sul, descobrir, sair, fugir, e morar. Desde D. Afonso Henriques que gostámos de ir para o Algarve em Agosto. Montados nas carroças, nas liteiras e nos burricos lá íamos, todos lampeiros e de marmita às costas, gozar 15 dias de férias a Albufeira.

Por isso adoro Sul Viagens de M.S.T. Gosto da palavra Sul. O norte tem o seu encanto cultural, paisagístico, filósófico e até poético, mas é para sul que vou sempre que posso e que sempre quis ir. Sul sempre foi o nosso objectivo, a nossa meta, o nosso karma. Em Portugal, quando viajo, a minha bússola aponta sempre o «sul magnético».
O norte pode ser um paraíso.
O sul é outra coisa melhor.

"Este é um livro de viagens, um livro de alguém que, como nos sonhos de infância, teve a sorte de partir tantas vezes com pouco mais que um saco de viagem e uma máquina de filmar ou de fotografar. (...) Nem sempre viajei
para sul, mas nada vi de tão extraordinário como o sul. O Sul é uma porta de avião que se abre e um cheiro inebriante a verde que nos suga, o calor, a humidade colada à pele, os risos das pessoas, o ruído, a confusão de um terminal de bagagens, um excesso de tudo que nos engole e arrasta como uma vaga gigantesca. Apetece fechar os olhos, quebrar os gestos e deixar-se ir. Mas é justamente neste caos que eu procuro a lucidez do contador de histórias."
Miguel Sousa Tavares

27.9.06

Eu e o Manuel aparecemos no Jornal Praça Pública de Ovar!!

No dia 9 deste mês, um sábado, lá ía com os meus amigos para Ovar quando, no lugar do Buçaquinho, deparamos com um autocarro atravessado no meio da rua, com a traseira encalhada na areia do pinhal, depois de várias tentativas frustradas por parte do condutor em fazer inversão de marcha naquele sítio. O condutor, atrapalhado, lá tentava arranjar soluções para desencalhar o gigante de ferro mas sem solução aparente. No autocarro vinha uma excursão da terceira idade que aproveitou para sentar-se nas cadeiras de praia e ver o «circo pegar fogo». Eu e o Manuel, numa foto tirada pelo nosso amigo Sandro, publicada pelo jornal Praça Pública, lá fomos «ajudar» a empurrar a camioneta. No fim do dia, passámos por lá, à vinda embora, mas já não havia vestígios do autocarro. De resto os velhinhos encontram-se a são e salvo no conforto dos seus lares da terceira idade.
Uma semi-aventura.

Ficou a foto para a posteridade.

Como se pode verificar na foto, o Manuel, num rasgo de ousadia herculeana, tentava levantar o autocarro; eu, no lado direito, posando para a foto, ao estilo Superman, tentava desencalhar a lata gigante, com um empurrão que se revelou ineficaz. Dois gestos teatrais numa foto com grande qualidade artística.

Foto: Praça Pública, Semanário de Ovar, Quarta-Feira, 20 de Setembro de 2006, pág 6.

26.9.06

O que eu ando a ouvir! Clicar na música para ver o clip no youtube!

Transmission e She's lost Control dos Joy Division, duas belas canções do pós-punk de Manchester em 1979.
Lost in a melody dos The Delays, que descobri recentemente, e anda sempre no ouvido: aquele som tipo electro-anos-80 e uma atitude sempre a pedalar.
Suedehead de Morrissey, pós-Smiths, a solo no álbum Viva Hate. Era apenas o começo.
Munich dos Editors, uma banda com lugar de honra nas praleteiras da pop actual. Grande banda.
Hope there's someone de Antony and the Johnsons. Para nos roubar o coração, parti-lo e varrer os cacos para dentro da nossa alma.
Do you want to dos Franz Ferdinand. Pop fresca e alegre, party-pop. Todas as bandas querem ser Franz Ferdinand, mas não dá.
Bullet proof skin dos Institute, banda de Gavin Roosdale, ex-Bush, a fazer-nos lembrar porque é que gostavamos dos mesmos.
Dance me to the end of love, de Leonard Cohen, meu ídolo há anos, aqui num videoclip onde entra nada mais nada menos que Quentin Tarantino. Mais valia chamar-se Dance me to the end of muthafuckin' love!!....
Protection dos Massive Attack. Grande som dos pais do Trip-Hop.
The Richest Man In Babylon dos Thievery Corporation, os mestres da música «cool».

25.9.06

Cinefilia: V de Vingança

Este não é um filme do tipo "uma agradável surpresa" ou "excelente" ou "obrigatório". Não. Este é um filme «do caralho» mesmo. Politicamente incorrecto, V for Vendetta é uma obra-prima de grande qualidade, quer em arrojo quer em liberdade artística e cinematográfica.

23.9.06

Leonel e Luzia: As Fotos do Casamento

O noivo, junto ao carro, o Twingo do amor, visivelmente alegre com o aspecto vilipendiado da carripana. O que ele ainda não sabe é que o interior do carro está uma verdadeira lástima. Mas ele veio prevenido com facas de mato, lanternas, extintores, gruas e 300 kilos de material de bombeiros e sapadores... Para entrar dentro do carro foi preciso recorrer a técnicas ancestrais de arrombamento de veículos, tipo desvastação da floresta amazónica à catanada, ao estilo Indiana Jones. Eu e o Jorge colocamos balões na parte de trás, enchidos a plenos pulmões, já de si gastos a cantar Karaoke, e pintamos todo o carro como manda a etiqueta, com desenhos de genitália variada, frases estimulantes e de apoio sexual ao casal e, claro está, não podia faltar o fio de latas vazias a rastejar pelo chão a imitar o "dlim-dlim" característico do chocalho do gado bovino.
Enfim...
Nada que 348 lavagens não resolvam...


"Ei, como é que eu vou meter as mudanças nesta selva de fios??" Ó 'Mor, para a próxima vimos de casal duas famel zundapp 600 turbo."


"Ai que filhos da... ai já vão tirar fotos? Tá lindo o carro, tá, sim sinhori, brigadinho, eu depois mando a conta seus...."


Eu e o Jorge, a posar para a foto. Mais uma obra prima surrealista. Mas ainda estavamos muito longe do nosso objectivo: encher o carro com entulho da lixeira municipal e, com recurso a uma grua, colocá-lo no cimo duma árvore. Foram contra a ideia... Well... Next time...


Eu, para desmoer o bacalhau com natas, lá fui fingir que tocava para a fotografia. O Jorge apercebeu-se e perguntou-me se eu não estava mais habituado a tocar órgão?! Fingi que não percebi...


Elisabete e Luzia, a noiva.
Beta: "Isto do casamento é muito bonito mas depois somos nós a lavar a loiça."
Luzia: Tá calada, disfarça e ri-te para a foto!"


A Betinha e o Jorginho, os próximos a dar o nó, se tudo correr bem. Mas só daqui a um ano, o tempo necessário para encomendar duas paletes de viagra.


A Patrícia, na casa dos noivos, enquanto eles viajavam pelo país na lua de mel, punha, com as amigas, a casa totalmente em pantanas. A casa ficou de tal forma danificada que foi necessária a intervenção de 20 companhias de limpeza, 300 sapadores e duas gruas só para se poder entrar em casa e uma frota da força aéria para desinfestar com 10 pulverizadores os enxames de moscas que rodeavam a casa devido à lixeira acumulada. Avisa-se a população que os criminosos, segundo notícias da CNN, ainda continuam a monte...

21.9.06

O Indy!

Um dos meus jornais preferidos de todos os tempos - O Independente - fechou as portas. Lembro-me que o "Indy" publicou, em Setembro de 2000, uma carta minha a elogiar o jornal quanto ao custo-benefício: Na altura custava 450 paus e trazia tanta coisa, tantos suplementos, enfim, era um verdadeiro festim. O director (e o melhor cronista português da segunda metade do séc. XX) e meu ídolo da Noite da Má-Língua, Miguel Esteves Cardoso, teve a amabilidade de publicar a minha cartita e achou graça quando lhe disse que até dava "mil paus" pelo jornal ao qual ele, ou alguém na redação, perguntou, no fim da carta, "Quando é que podes começar?" O melhor do jornalismo está nos anos 90. Sem dúvida.

Em maio de 1988, Miguel Esteves Cardoso (no meio), saído do Expresso e Paulo Portas (muito novo, com 25 anos, à direita) fundavam O Independente, o jornal de referência da direita anti-sistema, (alegadamente) conservadora, eurocéptica e pró-Portugal. Faço parte e fiz parte da chamada "Geração Indy", desde o cavaquismo até ao final do guterrismo, uma legião de fãs arrastada por este jornal e pelo génio do fenómeno MEC, que se confirmou neste jornal e na revista Kapa (1990-1992) .

Uma das capas do Independente. Saudades. Muitas.

20.9.06

Eu e a Bety na Fundação Serralves: Postal de Recordação!

Frente
Verso
Legenda: "Esta fundação é linda como o carago!!" 20-11-06. Nelson / "Foi uma agradável surpresa! É diferente de tudo o que já vi! 20-11-06. Ps - Mas é caro como o C******". Elisabete